Biografia

Grupo OPNI

Formado em 1997, inicialmente, o Grupo OPNI era composto por cerca de vinte jovens moradores do bairro de São Mateus, na periferia de São Paulo que se reuniram com um ideal em comum: expressar por meio de arte, a realidade do dia a dia que os tornava invisíveis, para oportunidades e alvo para compor estereótipos. Tal intenção é refletida na sigla que dá nome ao grupo, que já significou Objetos Pixadores Não Identificados, Os Policiais Nos Incomodam e Os Prezados Nada Importantes. Atualmente, o nome do coletivo não pretere definições, significando um grito de guerra pessoal que representa a periferia.

Parafraseando o poeta, a vida imita a arte e de 1997 pra cá, muita coisa mudou, inclusive, os caminhos trilhados por estes jovens. Alguns abandonaram as atividades artísticas porque encontraram novas opções profissionais ou por influência da família, outros por motivo de força maior, ou mesmo porque foram presos. Apesar dos contratempos, o Grupo OPNI manteve a resistência, e o objetivo inicial permanece vivo, tanto que formou um legado, formando diversos grafiteiros, que hoje, representam o ideal de resistência.

Tendo como inspiração a comunidade onde cresceram e a forte influência da cultura afro brasileira, os traços desenvolvidos pelo Grupo OPNI revelam um olhar periférico e “artivista” que passeia por temas variados construindo uma poética visual igualmente bela e impactante.

Em sua trajetória de 17 anos, o Grupo OPNI: fundou, junto a outros coletivos culturais, a ONG São Mateus em Movimento, maior articuladora cultural na região (2008); participou da 1ª Bienal Internacional Graffiti Fine Art no MUBE (2010); interpretou os painéis “Guerra e Paz”, de Cândido Portinari, no encerramento da exposição em São Paulo (2012); recebeu o prêmio de melhor grupo.

Durante a trajetória de 18 anos, o Grupo OPNI realizou trabalhos expressivos com participações em eventos internacionais (Manifesto Canadá, em 2008; Gran Maestro Graffiti e Chile Sudaka Dance, em 2004).

Desenvolveu painéis para a exposição A Vila Como Ela É, (2010) e participou da 1ª Bienal Internacional Graffiti Fine Art no MUBE, (2010); interpretação dos painéis “Guerra e Paz”, de Cândido Portinari, no encerramento da exposição realizada em São Paulo, que homenageou o artista no Memorial da América Latina, (2012); foi contemplado na categoria Melhor Grupo de Graffiti, do 1° Prêmio Mundo da Rua, (2012); representou a arte urbana brasileira, na 45° edição do New Orleans Jazz & Heritage Festival”, nos Estados Unidos (2014), vencedor na categoria “Territórios Culturais” do Prêmio Governador do Estado de São Paulo para a Cultura (2015), entre outros. O coletivo também é conhecido por desenvolver trabalhos para diversos artistas da cena atual de música independente, como Racionais MC’s, Criolo, MV Bill, Dexter, Emicida, Charlie Brow Junior, O Rappa, Banda Black Rio, Ponto de Equilíbrio, entre outros.

Na área esportiva, o Grupo OPNI foi motivo de inspiração para o fotografo Nacho Doce, que com o clique de um painel desenvolvido especificamente para a Copa do Mundo, conquistou seu posto entre as melhores fotos de 2014, pela agencia Reuters. O coletivo também desenvolveu painéis para o lançamento do segundo uniforme do Santos Futebol Clube, em ação comemorativa dos 102 anos do clube (2014), e customizou o tênis do astro americano de basquete, Kobe Bryant, jogador do Los Angeles Lakers (2012). No cinema e TV Nacional, desenvolveu painéis e participou de intervenções artísticas para os seriados Cidade dos Homens e Antônia, para o filme Quanto Vale ou é Por Quilo, e para o curta Graffiti.

Desenvolveu o cenário do programa Manos e Minas (TV Cultura), para a novela Malhação (TV Globo) e atuou na produção de cenografia de vinhetas para diversos programas da MTV. Também já realizou ações comerciais, para marcas como Nike, Revista Rolling Stone, Revista Raça e Passport.

Atualmente, o Grupo OPNI também é responsável por diversos projetos realizados na Vila Flávia, e que dialogam com comunidades periféricas de todo o mundo. Algumas dessas ações são protagonizadas pela ONG São Matheus em Movimento, que fundada pelo coletivo em 2008, conquistou o status de maior articuladora cultural da região, e hoje atua em parceria com diversos grupos, oferecendo, além de apoio para os artistas, cursos e oficinas gratuitos de diferentes linguagens, para crianças e adolescentes.

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Projetos

OPNI CoMvida – Galeria a Céu Aberto – projeto vencedor do Prêmio Governador do Estado de São Paulo para a Cultura 2014, na categoria Territórios Culturais. Para saber mais, acesse www.opniconvida.com.br

Esse Graffiti Vai Dar Samba – em parceria com tradicionais comunidades do samba, o Grupo OPNI desenvolve intervenções artísticas inspiradas nas produções musicais que retratam o cotidiano periférico, suas alegrias, tristezas e potencialidades. Entre os trabalhos realizados, destacam-se: “Berço do Samba de São Mateus”, “Comunidade Toca da Onça”, “Samba da Maria Cursi”, “Tia Cida”, “Quinteto em Branco e Preto”, “Pagode da 27” e “Samba da Vela”.

Quadro Negro – possui como foco a disseminação de histórias a partir da reflexão sobre o universo da cultura negra e sua utilização como forma de resistência. A base de pesquisa são os temas atuais, ou mesmo assuntos tidos como dogmas, que em sua maioria, estão inseridos de forma velada na sociedade. Partindo deste ponto, o Grupo OPNI desenvolve intervenções artísticas de grande proporção (em média 40m²). Atualmente, o projeto conta com uma coluna mensal de nome homônimo, na revista Raça Brasil. O projeto também reúne homenagens para vários ícones da cultura, como, Grande Otelo, Luiz Gonzaga, Nelson Mandela, entre outros.

Favela Jazz – idealizado em 2014, para uma intervenção que representou a arte urbana brasileira, na 45° edição do New Orleans Jazz & Heritage Festival, maior festival de jazz do mundo que acontece anualmente nos Estados Unidos, o projeto realiza apresentações artísticas que mesclam graffiti, música e conhecimento.

A proposta é criar um ambiente com live painting no qual aconteçam intervenções poéticas, que tem como ponto de partida, o Jazz e outras manifestações culturais oriundas de Nova Orleans, tais como o “Mardi Grass Indians” e o “Funeral With Music”. O Favela Jazz propõe ao público uma reflexão sobre essa mesma ancestralidade, que cruzou o Atlântico, originando no Brasil o samba, a capoeira, o jongo, entre outros.